Câmaras climáticas do INDT simulam em poucas horas envelhecimento, resistência e impactos (desgaste) do uso produtos, a fim de identificar os pontos fracos de projeto para os fabricantes

camara-climaticaQualquer produto ou insumo desenvolvido com finalidade comercial para ser produzido em larga escala precisa passar por testes de durabilidade e resistência. Esses testes são feitos por institutos tecnológicos, como o Instituto de Desenvolvimento Tecnológico (INDT), em Manaus (AM).
Do Amazonas, o INDT realiza para todo o Brasil testes de confiabilidade a partir de ensaios controlados. Entre eles está o ensaio de “câmaras climáticas”, hospedado no Laboratório de Hardware, que serve para submeter um produto ou componente a condições de tempo, de forma que ele “envelheça” aceleradamente em algumas horas em câmaras que simula os desgastes com o passar dos anos.
São três tipos de câmaras que realizam testes de impactos, choque térmico (calor extremo e frio congelante), e condições de ambientais (como umidade e temperatura) e por último uma que permite acrescentar o componente de vibração.
Não apenas condições de uso, mas o laboratório também simula condições de transporte e armazenamento, de modo que o fabricante possa saber se aquele produto vai resistir ao processo logístico até chegar às mãos do consumidor.
A finalidade é identificar os pontos fracos do projeto, as falhas no seu processo fabril e sua garantia de qualidade.
“A câmara climática serve para você submeter o equipamento, o produto ou componente a uma condição climática de temperatura, umidade que faça com que ele envelheça de forma acelerada. Depois de algumas centenas de horas, você já tem o envelhecimento de um, dois anos do produto. Depois você tira e testa se ele vai ligar ou não. Se falhar, poderá investigar onde ocorreu a falha e descobrir onde estão os pontos fracos do seu projeto. Se você quiser dar uma garantia de 2, 3 ou 5 anos você precisa saber a real vida útil dele. O INDT por apoiar nestes dimensionamento para este tipo de ensaio”, enfatiza o engenheiro Leonardo Beltrão, chefe dos laboratórios do INDT em Manaus.


Produtos avaliados

Entre os produtos já testados pelo INDT estão celulares, carregadores, baterias, placas de satélites e placa-mãe de computador. “Qualquer tipo de produto pode ser avaliado por nós, basta caber nas câmaras”, destaca Leonardo Beltrão.
Além de testar produtos novos no mercado, o INDT também oferece o serviço de aperfeiçoar o processo produtivo, a partir do “feedback” dos problemas identificados nas assistência técnica pela reclamação dos consumidores.

“A cada teste é gerado um relatório para identificar se o produto está bom, está ruim ou se teve alguma deficiência pontual. A linha de produção não é estática. Todos os parâmetros de processos produtivos precisam ser acompanhados continuamente”, ressalta Leonardo.
“Medimos determinadas variáveis para verificar a resistência do produto. Por exemplo, um teste de um tablet ou celular é bem mais severo do que uma TV. Geralmente um produto tem um tempo mínimo para continuar funcionando. A partir daí você começa a rodar o ciclo de melhoria continua”, explica o engenheiro mecânico Edson Silva, do time do INDT.

O INDT recebe pedidos de diferentes segmentos, sejam fábricas do polo industrial de Manaus ou de qualquer indústria brasileira. Entre os clientes está o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) que testou a resistência de placas de satélites em um projeto de doutorado.